Como medir janelas de canto e bay window sem deixar frestas

Janelas de canto e bay windows trazem um charme imediato para qualquer ambiente, criando sensação de amplitude, muita entrada de luz natural e aquele ar de projeto bem pensado. Em praticamente todos os projetos em que atuo, elas se tornam o ponto focal do espaço.

Mas toda essa beleza vem com um desafio técnico importante: medir esses vãos corretamente para instalar cortinas, persianas ou blackouts sem deixar frestas. Aqui, qualquer pequeno erro de medição aparece na hora:

  • claridade escapando bem no canto,
  • faixas de luz entre painéis,
  • sobreposição mal calculada,
  • sistemas batendo um no outro.

A boa notícia é que, com o método certo, é totalmente possível ter janelas de canto e bay windows bem medidas, bem vedadas e com acabamento profissional.

Neste guia do Lar Futura, vou mostrar como faço essa medição na prática:

  • diferenças em relação às janelas comuns;
  • checklist de ferramentas;
  • passo a passo para janelas de canto e bay windows;
  • o “pulo do gato” do encontro de canto para não deixar uma cortina batendo na outra;
  • margens de sobreposição;
  • e sistemas que funcionam melhor nesses casos.

Diferenças entre janelas comuns, de canto e bay windows

Em janelas retas tradicionais, o processo costuma ser simples:

  • medir largura;
  • medir altura;
  • aplicar folgas técnicas básicas.

Já em janelas de canto e bay windows, a história muda.

  • ângulos, encontros de vidro e painéis em diferentes posições.
  • Cada face precisa ser tratada como um painel independente, com medidas próprias.
  • É necessário pensar em sobreposições e profundidade de trilho/cortineiro.

Nas janelas de canto:

  • o ponto mais crítico é o encontro do canto, onde uma face encontra a outra;
  • se nada é sobreposto ou recuado, quase sempre sobra uma faixa de luz exatamente ali.

Nas bay windows:

  • geralmente temos 3 ou mais painéis em ângulo;
  • cada painel precisa ser medido separadamente, mas todos precisam funcionar em conjunto.

Por isso, para blackout total ou controle de luz mais rigoroso, é comum eu especificar:

  • perfis de vedação;
  • persianas rolo com guia lateral;
  • trilhos curvos ou articulados para cortinas.

Checklist inicial antes de medir

Antes de abrir a trena, sempre preparo um pequeno checklist. Isso evita improviso e retrabalho.

Ferramentas que uso

  • trena metálica de boa qualidade;
  • nível;
  • esquadro (quando preciso checar ângulos mais críticos);
  • bloco ou planilha para anotar tudo em milímetros;
  • celular para tirar fotos dos painéis e anotar observações.

Definir antes: embutida x sobreposta

Antes de começar a medir, defino com o cliente (ou para o projeto):

  • Instalação embutida (dentro do vão)
    • exige precisão máxima;
    • qualquer milímetro a mais pode travar o sistema.
  • Instalação sobreposta (fora do vão)
    • exige margens maiores;
    • serve para cobrir alvenaria e vedar melhor a luz.

Essa decisão muda completamente as contas, então não é algo que se resolve depois.

Observar o entorno

Sempre registro:

  • batentes salientes;
  • peitoris;
  • guarnições;
  • móveis próximos;
  • split de ar-condicionado;
  • cortineiros existentes.

Tudo isso pode interferir no caimento do tecido ou no caminho da persiana.


Passo a passo para medir janelas de canto

Em janelas de canto, eu sempre trato cada lado como um painel independente.

1. Medir cada painel (largura e altura)

Para cada face:

  1. Meça a largura em três pontos:
    • parte superior;
    • meio;
    • base.
  2. Anote a menor medida como referência (em milímetros).
  3. Meça a altura também em três pontos:
    • lado esquerdo;
    • centro;
    • lado direito.
  4. Novamente, use a menor medida como base.

Isso compensa paredes fora de prumo e esquadrias um pouco tortas, o que é mais comum do que parece.

2. Definir sobreposição no encontro do canto

Depois das medidas “brutas”, vem a parte que mais influencia nas frestas:
a sobreposição entre um painel e outro no encontro do canto.

  • Para cortinas, costumo trabalhar com 5 a 10 cm de sobreposição entre tecidos.
  • Para persianas de rolo ou painéis, posso aumentar essa sobreposição, especialmente em blackout.

O “pulo do gato” do canto: como evitar que as cortinas batam entre si

Aqui entra o ajuste que mais faz diferença em projetos reais.

Quando você tem duas cortinas encontrando no canto, se simplesmente dividir as medidas “meio a meio”, acontece:

  • os trilhos ou cortineiros encostam ou se sobrepõem demais;
  • o volume de tecido recolhido de uma invade o espaço da outra;
  • as cortinas começam a bater e travar no encontro.

1. Descontar a profundidade do trilho/cortineiro

Se houver cortineiro, trilho duplo ou sistema com projeção, é fundamental considerar a profundidade.

  • No encontro de canto, essa profundidade rouba espaço útil de um dos lados.
  • Se você não descontar, as cortinas vão se encontrar “no ar” e bater uma na outra.

Exemplo prático:

  • Profundidade útil do cortineiro: 10–12 cm;
  • Em muitos casos, desconto essa profundidade da largura de um dos lados ou preparo uma das cortinas para ficar “por trás” da outra.

2. Regra prática que uso nos projetos

“Lembre-se de descontar pelo menos 15 cm de uma das larguras para acomodar o volume da cortina recolhida do outro lado.”

Na prática, isso significa:

  • escolher qual lado terá prioridade de caimento (por exemplo, o lado da sala, não da circulação);
  • nesse lado, mantenho a largura cheia;
  • no outro painel, desconto cerca de 15 cm da largura calculada, exatamente para que, quando ambas estiverem recolhidas, o volume de tecido não se choque no canto.

Isso vale tanto para:

  • trilhos simples;
  • trilhos duplos;
  • cortinas blackout + tecido decorativo.

Quando aplico essa regra, o encontro de canto:

  • continua bem vedado;
  • não gera frestas no miolo;
  • e, principalmente, não cria conflito mecânico entre as cortinas.

Passo a passo para medir bay windows

Em bay windows (com três ou mais faces), o princípio é parecido, mas com mais painéis.

1. Medir painel a painel

Para cada painel:

  • meça largura em 3 pontos (superior, meio, base);
  • meça altura em 3 pontos (esquerda, centro, direita);
  • use a menor medida de cada eixo.

2. Considerar os ângulos

Depois:

  • observe os ângulos entre os painéis (90°, 135°, mais aberto etc.);
  • já pense onde haverá sobreposição de tecido ou de persiana.

Em persianas de rolo ou painéis:

  • costumo reservar 5 a 10 cm de sobreposição por encontro;
  • em bay windows maiores, uso suportes articulados ou trilhos curvos para acompanhar o desenho.

3. Documentar tudo para o fornecedor

Eu sempre monto uma ficha clara:

  • Ambiente;
  • Tipo de janela;
  • Painel 1 – largura / altura;
  • Painel 2 – largura / altura;
  • Painel 3 – largura / altura;
  • Tipo de instalação (embutida ou sobreposta);
  • Observações sobre ângulos, sobreposições e objetivo (decorativo, blackout total, misto).

Complemento com fotos e setas no próprio print da janela – isso reduz muito o risco de interpretação errada.


Sistemas de cortinas e persianas mais indicados

Pela experiência, estes são os sistemas que mais funcionam em janelas de canto e bay windows:

1. Persianas de rolo com guias laterais (para blackout)

Indico muito para:

  • quartos;
  • salas de TV;
  • home offices.

Vantagens:

  • cada painel recebe um rolo independente;
  • guias laterais reduzem a entrada de luz nas bordas;
  • visual limpo e técnico.

2. Cortinas sob medida com trilho curvo ou articulado

Melhor opção quando a prioridade é aconchego e estética.

  • o trilho acompanha exatamente o desenho da janela;
  • o tecido desliza contínuo, sem “quebras estranhas” nos ângulos;
  • funciona bem com tecido leve e com combinação blackout + decorativa.

3. Painéis deslizantes

Uso principalmente em:

  • bay windows amplas;
  • grandes panos de vidro.

Cada painel corre em seu trilho e cobre uma face, criando:

  • superfície contínua quando fechados;
  • visual moderno e bem alinhado.

Truques para eliminar frestas de luz

Além da medição, alguns recursos fazem muita diferença no resultado final.

Perfis de vedação

  • perfis laterais e superiores funcionam como molduras;
  • encostam no tecido ou persiana;
  • barram a luz nas bordas.

Em projetos de blackout total, especialmente em canto e bay window, considero quase obrigatório.

Instalar o mais rente possível ao teto ou à parede

  • quanto menor a distância entre sistema e alvenaria, menos luz entra por cima;
  • visualmente, isso ainda alonga o pé-direito.

Combinação blackout + decorativa

Uma das soluções que mais uso:

  • blackout técnico mais próximo do vidro;
  • cortina decorativa por cima.

Assim:

  • o blackout faz o trabalho pesado de vedação;
  • o tecido decorativo traz aconchego, textura e ajuda a reforçar laterais.

Erros comuns ao medir janelas de canto e bay windows

Alguns erros se repetem bastante:

1. Medir tudo como se fosse um vão único

Ignorar a divisão em painéis e os ângulos é receita certa para:

  • tecido faltando em algum ponto;
  • trilho que não acompanha o desenho;
  • persiana que não encaixa.

Regra de ouro: cada painel é um módulo independente.

2. Esquecer sobreposições nos encontros

Sem sobreposição:

  • surgem trilhas de luz entre uma cortina e outra;
  • no blackout isso é muito evidente.

3. Arredondar medidas sem critério

Em janelas com muitos ângulos:

  • arredondar para menos → frestas;
  • arredondar para mais → sistema que não entra no vão ou bate no batente.

4. Não anotar obstáculos e tipo de instalação

Sem essa informação, o fornecedor fabrica “pelo tamanho do vão” e ignora:

  • móveis próximos;
  • cortineiros;
  • objetivo de blackout total.

Tabela prática de margens e sobreposições recomendadas

Como referência inicial, trabalho com estes valores:

Instalação embutida (dentro do vão)

  • Subtrair 5 a 10 mm da menor largura de cada painel.
  • Subtrair 5 a 10 mm da menor altura de cada painel.

Isso evita que o sistema trave em vãos levemente tortos.

Instalação sobreposta em canto e bay window

  • Laterais: +5 a 10 cm por lado para persianas e painéis.
  • Encontros de canto:
    • Cortinas: sobreposição de ~5 cm no encontro entre tecidos;
    • Painéis / rolos: até 10 cm de sobreposição, dependendo do nível de bloqueio de luz desejado.

Ajuste especial no canto (pulo do gato)

  • Em cortinas que se encontram no canto:
    • mantenha a largura plena em um lado;
    • desconte ~15 cm da largura do outro painel para acomodar o volume da cortina recolhida, sem que uma bata na outra.

Esses números são ponto de partida. Em home theaters ou projetos de blackout extremo, posso trabalhar com margens ainda mais generosas.


Método certo = canto sem fresta e com acabamento profissional

Medir janelas de canto e bay windows sem deixar frestas parece, à primeira vista, algo complexo. Mas, quando você:

  • trata cada painel separadamente;
  • define antes se será embutido ou sobreposto;
  • pensa nas sobreposições;
  • aplica o pulo do gato do canto, descontando o que é necessário para não deixar uma cortina batendo na outra;
  • e registra tudo com clareza para o fornecedor,

o processo fica claro, previsível e com resultado muito mais próximo de um projeto profissional.

Mesmo que a instalação seja executada por um terceiro, entender essa lógica coloca você no controle da especificação e evita a maior parte das surpresas na entrega. Assim, as janelas de canto e as bay windows deixam de ser fonte de problema e passam a ser exatamente o que deveriam: um dos pontos mais valorizados do ambiente, com beleza, conforto e funcionalidade no máximo.

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Théo Martins é especialista em cortinas, persianas e proteção solar, com mais de 10 anos de experiência em tecidos técnicos, medição profissional, instalação, automação e análise de ambientes. Certificado por Hunter Douglas e Somfy, atua ajudando pessoas a escolherem soluções eficientes e corretas para cada janela. No Lar Futura, transforma conhecimento técnico em orientações práticas e confiáveis.

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