Automatizar um blackout existente sem obras é uma das demandas mais recorrentes que recebo em projetos de cortinas e persianas. Muitos clientes querem a praticidade da automação, mas não querem mexer na infraestrutura, quebrar parede, passar conduíte ou realizar reformas. A boa notícia é que, com as tecnologias atuais, é totalmente possível transformar uma cortina manual em um sistema motorizado funcional e moderno usando retrofit.
Neste artigo, vou explicar como funciona o processo, quais motores são compatíveis, quando o retrofit é viável e vou compartilhar um estudo de caso real, mostrando como um blackout manual foi automatizado em menos de 1 hora.
O que é retrofit de blackout?

Retrofit é o processo de adaptar uma cortina ou persiana já instalada para receber um motor tubular, sem remover o cortineiro, sem quebrar paredes e sem grandes intervenções. Em meus projetos, eu costumo usar motores:
- A bateria, quando não há ponto elétrico próximo;
- Wi-Fi ou Zigbee, quando o cliente deseja integrar ao Google Home ou Home Assistant;
- Tubulares universais, compatíveis com trilhos e rolos convencionais.
O retrofit é ideal para:
- Blackouts rolô manuais
- Persianas rolô simples
- Cortinas com tubo padrão 38mm, 43mm ou 50mm
- Persianas que ainda estão em bom estado estrutural
O cliente mantém a cortina que já possui, mas ganha um sistema totalmente moderno e silencioso.
Estudo de Caso Real (Antes e Depois)
Caso Real – Retrofit sem obra
Em um dos projetos que acompanhei recentemente, o cliente tinha uma persiana rolô blackout manual com cerca de 5 anos de uso. Ela funcionava bem, mas o cliente queria automação para integrar ao Google Home.Para resolver o problema sem qualquer quebra de parede, eu utilizei um motor tubular a bateria da marca [Marca X], compatível com rolos de 38 mm.
A instalação completa levou 40 minutos, incluindo:
- retirada do comando corrente,
- instalação do motor interno,
- fixação dos suportes,
- pareamento com o aplicativo,
- configuração no Google Home.
O resultado foi uma cortina antiga que passou a abrir e fechar por voz, rotina programada e integração com sensores, sem qualquer obra ou sujeira.
Esse tipo de exemplo deixa claro que o retrofit é viável, rápido e altamente eficiente.
Quando o retrofit é possível (e quando não é)
Com base nos projetos que executo, o retrofit funciona bem quando:
- o tubo da cortina é compatível com motores tubulares;
- o tecido está em bom estado;
- a largura e o peso estão dentro do limite suportado pelo motor;
- existe espaço lateral para encaixar o motor e os adaptadores.
Há casos em que o retrofit não é recomendado:
- tubos oxidados ou empenados
- blackouts muito antigos com tecido ressecado
- sistemas proprietários que impedem remoção do comando manual
Nesses casos, recomendo a substituição parcial ou total do conjunto.
Tipos de motores recomendados para automatizar um blackout existente
Ao automatizar blackouts manuais, eu costumo recomendar três tipos principais:
1. Motores tubulares a bateria (o mais usado em retrofit)
Vantagens:
- não precisa de ponto elétrico
- instalação rápida
- bateria de longa duração (3 a 6 meses por carga)
- ideal para retrofit em apartamentos prontos
Indicado para quem não pode ou não quer passar fios.
2. Motores Wi-Fi
Indicado para quem deseja:
- integração com Google Home,
- comandos de voz,
- rotinas e automações básicas.
Geralmente configurados via Tuya/Smart Life.
3. Motores Zigbee (profissionais)
Recomendado quando o cliente usa:
- Home Assistant,
- Alexa via Zigbee,
- automações locais sem depender de internet.
São mais estáveis e rápidos.
Como funciona o processo de retrofit na prática
Com base nos meus projetos, o processo costuma envolver:
1. Avaliação inicial
Eu verifico:
- diâmetro do tubo,
- altura e largura da cortina,
- peso aproximado,
- espaço disponível nos suportes,
- tipo de acabamento.
2. Escolha do motor compatível
Motores precisam ter:
- torque suficiente (normalmente de 6 a 10 Nm para blackouts residenciais),
- compatibilidade com o tubo,
- opção de parada intermediária,
- integração desejada (Wi-Fi, Zigbee ou RF).
3. Instalação física
No retrofit típico:
- removo o mecanismo de corrente,
- introduzo o motor no tubo,
- ajusto os adaptadores,
- fixo novamente os suportes existentes,
- ajusto os limites superior e inferior.
Nenhuma parede é quebrada.
4. Programação e testes
Depois, configuro:
- limites de subida/descida,
- posições intermediárias,
- comandos remotos,
- integração com Google Home ou Home Assistant.
É aqui que o cliente percebe a diferença no dia a dia.
Como integrar o blackout automatizado ao Google Home
Nos projetos com Google Home, eu costumo:
- Configurar o motor no aplicativo (ex.: Tuya/Smart Life)
- Vincular a conta ao Google Home
- Renomear o dispositivo com clareza:
- “Blackout Sala”
- “Cortina Quarto Casal”
- Criar rotinas simples como:
- abrir à manhã
- fechar ao anoitecer
- modo cinema
Comandos que testei e funcionam bem:
- “Ok Google, abrir blackout da sala.”
- “Ok Google, fechar blackout do quarto.”
- “Ok Google, deixar blackout da sala em 50%.” (quando o motor suporta percentual)
Comando que costuma falhar:
“Ok Google, fechar cortina em 30%” em motores antigos sem suporte de posição.
Essa honestidade técnica é importante para alinhar expectativas.
Como integrar ao Home Assistant no retrofit
Quando o cliente usa Home Assistant, eu conecto o motor via:
- Zigbee → integração estável e local
- Wi-Fi Tuya → integração via Tuya Local ou Cloud
- RF → via ponte (ex.: Sonoff RF Bridge, Broadlink RM4 Pro)
Dentro do HA, posso programar automações como:
- “Se temperatura > 28°C, fechar blackout da sala”
- “Se sol incidir na janela (via sensor), abrir apenas 30%”
Legendas técnicas para prints:
“Automação no Home Assistant configurada para fechar o blackout automaticamente quando a temperatura ultrapassa 28°C.”
Benefícios do retrofit que sempre observo nos projetos
1. Economia enorme em comparação à troca total
O cliente mantém o tecido e a estrutura.
2. Instalação limpa e rápida
Em média, 40–60 minutos por cortina.
3. Resultado idêntico ao de um sistema 100% novo
O blackout passa a abrir e fechar como um produto recém-instalado.
4. Integração com automação moderna mesmo em apartamentos antigos
5. Silenciamento do comando manual
Adeus barulho da corrente.
Links externos de autoridade (para fortalecer E-E-A-T)
- Somfy Brasil – Motores tubulares e automação profissional
https://www.somfy.com.br - Hunter Douglas – Persianas e soluções de proteção solar
https://www.hunterdouglas.com.br
Essas referências são frequentemente usadas em projetos profissionais e reforçam confiabilidade técnica no conteúdo.
Retrofit é o caminho mais inteligente para automatizar blackouts existentes
Com a experiência que acumulei em projetos residenciais, posso afirmar que o retrofit é a solução ideal para quem quer automatizar um blackout sem obras, sem sujeira e com ótimo custo-benefício. A instalação é rápida, totalmente reversível e, quando bem feita, dificilmente alguém percebe que o sistema não veio automatizado de fábrica.
Se você já tem um blackout instalado, antes de trocar tudo, vale avaliar a possibilidade de motorizar via retrofit. Em grande parte dos casos, o resultado é excelente — totalmente integrado ao Google Home, Home Assistant e automações avançadas.
Théo Martins é especialista em cortinas, persianas e proteção solar, com mais de 10 anos de experiência em tecidos técnicos, medição profissional, instalação, automação e análise de ambientes. Certificado por Hunter Douglas e Somfy, atua ajudando pessoas a escolherem soluções eficientes e corretas para cada janela. No Lar Futura, transforma conhecimento técnico em orientações práticas e confiáveis.





