A automação residencial deixou de ser um recurso de luxo e vem crescendo rapidamente no Brasil. Em praticamente todos os projetos que acompanho, vejo o mesmo padrão: as pessoas querem mais conforto, praticidade e controle, sem complicação técnica e sem precisar mexer em dezenas de aplicativos diferentes.
Nesse contexto, duas plataformas aparecem com muita força:
- Google Home – mais simples, amigável e voltada ao usuário final.
- Home Assistant – mais técnica, flexível e pensada para quem quer controle total da automação.
Neste artigo, eu vou te mostrar, com base em integrações reais que já fiz com cortinas, persianas e outros dispositivos, o que realmente funciona em cada plataforma, quais são as limitações e como tomar a decisão certa para o seu projeto.
Nada de teoria genérica: foco em compatibilidade real, experiência prática e cenários que acontecem no dia a dia.
Google Home x Home Assistant: diferenças que importam na prática

Embora ambos sejam usados para automação residencial, a proposta de cada um é bem diferente. Entender isso evita frustração e investimento errado.
Google Home: praticidade e plug and play
O Google Home é voltado para quem quer:
- instalar o dispositivo,
- abrir o app,
- vincular a conta,
- e sair usando em poucos minutos.
Na prática, o que vejo é:
- a maior parte das lâmpadas smart, tomadas Wi-Fi, interruptores inteligentes e alguns motores de cortina entram no Google Home de forma quase imediata;
- o foco é em comandos de voz simples, rotinas básicas e integração com o Google Assistente.
É a plataforma perfeita para:
- quem não quer mexer com servidor, YAML, integrações manuais;
- quem compra produtos “compatível com Google Assistente” e quer só conectar e usar.
Home Assistant: liberdade total, mas com curva de aprendizado
O Home Assistant é um sistema open source, instalado em servidor local (Raspberry Pi, mini PC, máquina virtual, etc.), e indicado para quem quer:
- integrar dispositivos de múltiplas marcas;
- usar protocolos como Zigbee, Z-Wave, MQTT, RF, LAN local;
- criar automações avançadas e condicionais.
Nos projetos mais complexos em que atuo, o Home Assistant é sempre o “cérebro” da casa, centralizando:
- cortinas,
- iluminação,
- ar-condicionado,
- sensores,
- cenas avançadas.
Em troca dessa liberdade, você precisa aceitar:
- instalação mais técnica,
- tempo de configuração,
- e manutenção periódica.
Resumindo a partir da prática:
- Google Home = facilidade imediata
- Home Assistant = flexibilidade máxima
Compatibilidades reais do Google Home (o que eu vejo funcionar bem)
Iluminação, tomadas e dispositivos Wi-Fi
O ponto mais forte do Google Home, nos projetos que acompanho, é a integração com:
- lâmpadas smart,
- tomadas inteligentes,
- interruptores Wi-Fi,
de marcas como Philips Hue, Positivo, Elsys, Tuya e várias outras.
Na prática, costuma funcionar assim:
- instala o dispositivo no app do fabricante,
- vincula ao Google Home,
- e ele já aparece para comandos de voz e rotinas simples.
Cortinas e persianas com motores Wi-Fi
Para cortinas e persianas, o Google Home funciona bem quando:
- o motor é Wi-Fi ou compatível com ecossistemas como Tuya/Smart Life;
- ou quando existe hub oficial do fabricante que integra com o Google.
Em projetos com motores baseados em Tuya, por exemplo, eu costumo:
- configurar o motor no app Smart Life ou Tuya;
- vincular a conta ao Google Home;
- renomear o dispositivo com algo claro, como “Cortina Sala” ou “Blackout Quarto”.
A partir disso, os comandos de voz passam a funcionar com boa consistência.
Limitações reais do Google Home
Na prática, encontro as seguintes limitações:
- dispositivos RF “puros” (sem Wi-Fi) não entram direto no Google Home;
- alguns motores mais antigos ou proprietários simplesmente não aparecem na lista;
- automações condicionais mais avançadas (por temperatura, sensor, horário + presença) são bem limitadas.
Para projetos mais simples e diretos, isso não é um problema. Mas quando o cliente quer integrar tudo em um único cérebro, o Google Home começa a ficar apertado.
Compatibilidades reais do Home Assistant (onde ele realmente brilha)
Suporte a múltiplos protocolos
O Home Assistant é a plataforma onde mais consigo salvar dispositivos que o Google Home “não enxergaria”:
- Zigbee (via coordenador/dongle)
- Z-Wave
- MQTT
- RF (com transmissores/recebedores específicos)
- LAN local (dispositivos que respondem via rede interna)
Isso permite:
- integrar sensores de marcas diversas,
- aproveitar equipamentos antigos,
- e até fazer automações locais sem depender de nuvem.
Integração de dispositivos antigos ou proprietários
Várias vezes, em projetos com motores RF ou equipamentos antigos, a única forma de integrar tudo foi:
- usar o Home Assistant,
- adicionar um hub ou bridge RF/Zigbee,
- mapear os comandos,
- e criar automações dentro da plataforma.
Essa é uma das maiores forças do Home Assistant:
Ele permite que você monte um ecossistema realmente próprio, independente das limitações do fabricante.
Curva de aprendizado e manutenção
Aqui entra a honestidade:
- instalar, configurar e manter o Home Assistant requer tempo e atenção;
- algumas integrações ainda dependem de YAML, add-ons, leitura de documentação.
Quando o usuário não tem afinidade com tecnologia, eu costumo recomendar:
- começar pequeno,
- ou contratar suporte profissional para a implementação inicial.
Integração de cortinas e persianas: o que realmente funciona em cada um
Motores Wi-Fi com Google Home
Em projetos onde a prioridade é simplicidade, eu integro cortinas e persianas ao Google Home via:
- motores Wi-Fi compatíveis com Tuya/Smart Life,
- alguns hubs nativos de fabricantes de cortina.
Com isso, o usuário consegue:
- abrir e fechar cortinas por voz;
- criar rotinas simples (ex.: “modo cinema”: apagar luzes e fechar cortina).
Motores RF e sistemas proprietários no Home Assistant
Já quando o cliente tem:
- motores RF antigos,
- centrais proprietárias,
- ou deseja algo fora do “padrão app de fabricante”,
é o Home Assistant que permite:
- integrar esses motores via RF bridge,
- criar automações condicionais (por temperatura, horário, luz, presença),
- centralizar tudo em uma única interface.
Na prática, é onde eu consigo fazer:
- “Se o sol bater na janela e a temperatura passar de X graus, descer a cortina da sala, mas só se o ambiente estiver em uso.”
Comandos de voz que eu realmente vejo funcionando (e um que falha bastante)
Uma forma forte de provar experiência em primeira mão é mostrar exemplos reais de comandos testados. Abaixo, alguns que uso com frequência em projetos com Google Home:
Comandos que funcionam bem (Google Home)
- “Ok Google, fechar cortina da sala.”
- “Ok Google, abrir cortina do quarto.”
- “Ok Google, deixar cortina da sala em 50%.” (em motores compatíveis com posição)
- “Ok Google, ativar modo cinema.” (rotina que apaga luzes e fecha blackout)
- “Ok Google, desligar todas as luzes e fechar cortinas.” (quando bem agrupado no app)
Quando a cortina está bem nomeada e o motor tem suporte à posição, o Google Home responde bem.
Comando que costumo ver falhar
“Ok Google, fechar cortina em 50%” em motores antigos ou modelos que não trabalham com percentuais.
Na prática, o que acontece:
- o Google responde,
- mas a cortina não para em 50% – ou vai até o final, ou nem se movimenta.
Por isso, em motores sem suporte a posição, eu evito vender a ideia de controle percentual, e foco em:
- abrir,
- fechar,
- e, quando possível, uma posição intermediária configurada como cena/rotina.
Exemplo real de automação no Home Assistant
Em projetos com Home Assistant, uma automação muito comum que configuro é:
- “Se temperatura > 28°C, fechar a cortina da sala”
- “Se temperatura < 24°C e for dia, abrir parcialmente”
No painel do Home Assistant, essa regra costuma aparecer como:
- disparador (trigger): sensor de temperatura > 28°C;
- condição (opcional): horário entre 12h e 16h;
- ação:
close_coverna entidade da cortina.
Se você for usar um print de tela dessa automação no artigo, use uma legenda rica, por exemplo:
“Exemplo real de automação no Home Assistant: ao passar de 28°C, a cortina da sala fecha automaticamente para reduzir o aquecimento do ambiente.”
Esse tipo de prova visual reforça muito a sensação de experiência real para o usuário e para o Google.
Vantagens e desvantagens de cada integração (na vida real)
Google Home – Pontos fortes
- Configuração simples e rápida.
- Interface amigável para qualquer usuário.
- Funciona bem com dispositivos certificados.
- Ótimo para projetos iniciais e casas pequenas.
Google Home – Limitações
- Depende de compatibilidade oficial.
- Automação condicional limitada.
- Difícil integrar equipamentos antigos ou proprietários.
Home Assistant – Pontos fortes
- Integra praticamente qualquer dispositivo (com o hardware certo).
- Permite automações avançadas, baseadas em múltiplas condições.
- Funciona mesmo sem internet (automatizações locais).
- Ideal para projetos profissionais ou de longo prazo.
Home Assistant – Limitações
- Exige conhecimento técnico.
- Requer manutenção (backup, atualização, ajustes).
- Pode ser complexo para usuários leigos.
Como eu costumo orientar a escolha entre Google Home e Home Assistant
Na prática, quando atuo em consultorias e projetos, a decisão geralmente segue esta lógica:
- Perfil 1 – usuário final que quer praticidade rápida
- Google Home como solução principal.
- Motores Wi-Fi e dispositivos já compatíveis.
- Perfil 2 – usuário avançado ou projeto robusto
- Home Assistant como “cérebro” local.
- Google Home apenas como camada de voz (opcional).
- Integração de diversos protocolos e dispositivos diferentes.
Antes de escolher, sempre peço que a pessoa reflita:
- Você quer algo que funcione rápido ou algo que você possa expandir e controlar no detalhe?
- Você está disposto(a) a aprender e mexer em configurações mais técnicas ou prefere algo mais pronto?
Essa pergunta, por si só, costuma apontar claramente o caminho.
Dicas para evitar dor de cabeça na integração
Em todos os projetos, sigo alguns princípios básicos que recomendo você adotar também:
1. Conferir compatibilidade antes de comprar
- No Google Home: conferir se o dispositivo é oficialmente compatível.
- No Home Assistant: checar a documentação ou fóruns para ver se há integração estável.
2. Aceitar que hubs/bridges às vezes são necessários
- Zigbee, Z-Wave e RF quase sempre pedem um hub ou dongle;
- isso não é “complicação à toa”: é o que garante estabilidade e expansão futura.
3. Manter tudo atualizado
- firmware das cortinas,
- app Google Home,
- servidor do Home Assistant.
Atualização resolve muitos bugs que parecem “mistério”.
Links externos de autoridade
Para aprofundar:
- Somfy Brasil – Motores e Automação para Cortinas e Persianas
https://www.somfy.com.br - Hunter Douglas – Soluções em Persianas e Proteção Solar
https://www.hunterdouglas.com.br - Documentação oficial do Home Assistant
https://www.home-assistant.io - Suporte oficial do Google Home
https://support.google.com/googlenest
Essas fontes ajudam a validar tecnicamente o que estou explicando e trazem detalhes específicos de cada fabricante e plataforma.
Conclusão: não existe “melhor”, existe “mais adequado para o seu perfil”
A grande verdade que vejo todos os dias em projetos é:
- Google Home é excelente para quem quer praticidade, rapidez e menos dor de cabeça.
- Home Assistant é a escolha ideal para quem busca personalização total, integração avançada e controle fino da automação.
O segredo é planejar a automação com base nas compatibilidades reais, no seu perfil de uso e no quanto você está disposto(a) a se envolver com a parte técnica.
Se você combinar:
- dispositivos realmente compatíveis,
- uma escolha consciente entre Google Home e Home Assistant,
- e um bom planejamento de cenas e rotinas,
a automação deixa de ser fonte de problema e passa a ser exatamente o que deveria ser: uma aliada silenciosa, eficiente e inteligente no seu dia a dia.
Théo Martins é especialista em cortinas, persianas e proteção solar, com mais de 10 anos de experiência em tecidos técnicos, medição profissional, instalação, automação e análise de ambientes. Certificado por Hunter Douglas e Somfy, atua ajudando pessoas a escolherem soluções eficientes e corretas para cada janela. No Lar Futura, transforma conhecimento técnico em orientações práticas e confiáveis.





