Ao longo dos meus projetos, percebi que a maior causa de falhas em cortinas não é o tecido, nem a costura — é o dimensionamento incorreto do trilho. Sempre que alguém me chama para corrigir um projeto, o problema costuma ser o mesmo:
- trilho estreito para tecido pesado;
- roldanas travando por excesso de peso;
- trilho envergado por falta de reforço;
- tecido franzido demais para um trilho curto;
- ou, ao contrário, trilho longo demais para um tecido leve, criando aspecto vazio.
Por isso, desenvolvi um método simples e certeiro para calcular a largura e o tipo de trilho ideal de acordo com o peso do tecido, tipo de franzimento e quantidade de camadas.
Neste guia, compartilho exatamente o que aplico nos meus projetos para garantir suavidade na abertura, durabilidade e estética impecável.
Diferença entre trilho, haste e cortineiro
Trilho
É o sistema mais versátil e técnico. Pode ser embutido ou sobrepor, com roldanas que deslizam suavemente.
Em meus projetos, sempre escolho trilho quando:
- o tecido é médio ou pesado;
- haverá blackout + decorativa;
- o uso é diário e exige suavidade;
- a janela é grande e exige distribuição de peso.
Haste (varão)
Funciona bem em ambientes decorativos, com tecidos leves ou médios.
Não recomendo para:
- blackouts duplos;
- veludo;
- cortinas muito volumosas.
A haste pode envergar no centro e prejudicar o movimento.
Cortineiro
Oculta o trilho dentro do forro — solução que mais utilizo quando o cliente busca um efeito clean.
A eficiência depende da escolha do trilho certo dentro do cortineiro.
Como a largura do trilho influencia no resultado final
A largura do trilho determina:
- quantos tecidos ele comporta (simples, duplo ou triplo);
- se o tecido consegue recolher totalmente sem travar;
- o caimento estético (continuidade, simetria, amplitude);
- o peso máximo suportado sem envergamento.
Trilho simples, duplo e triplo
- Simples: 1 camada — ideal para decorativos leves.
- Duplo: 2 camadas — a combinação que mais uso (voil + blackout).
- Triplo: para projetos que exigem decorativo extra, forro ou blackouts especiais.
Espaço para franzimento
Quanto maior o franzimento, mais espaço o trilho precisa:
| Tipo de franzimento | Multiplicador | Observação |
|---|---|---|
| 2x | volume moderado | ideal para blackout e tecidos médios |
| 2.5x | volume equilibrado | ideal para Wave |
| 3x | volume máximo | indicado para Prega Macho e tecidos leves |
Peso do tecido: o fator que mais impacta no trilho
As decisões mais importantes vêm daqui. Veja como classifico:
Tecidos leves (80–150 g/m²)
Ex.: voal, linho leve, sintéticos finos.
- Funcionam em trilhos simples;
- Aceitam franzimento 2.5x a 3x;
- Movimentação suave, pouco peso acumulado.
Tecidos médios (200–300 g/m²)
Ex.: linho encorpado, sarja, jacquard.
- Requerem trilho reforçado simples ou duplo;
- Franzimento recomendado: 2x a 2.5x;
- Já exigem melhor distribuição de carga.
Tecidos pesados (300–500 g/m² ou mais)
Ex.: veludo, blackout com PVC, blackout duplo.
- Exigem trilhos reforçados, duplos ou triplos;
- Necessitam suportes intermediários;
- Franzimento máximo recomendado: 2x.
Em janelas acima de 3 metros, praticamente sempre utilizo trilho reforçado com suporte central.
Cálculo simples e certeiro que uso em todos os projetos
Fórmula base
Largura do vão × fator de franzimento = metragem de tecido
Exemplos reais:
Exemplo 1 – Voal leve
- Vão: 2,50 m
- Franzimento: 2,5x
- Tecido necessário: 2,50 × 2,5 = 6,25 m
- Trilho recomendado: simples
Exemplo 2 – Blackout duplo
- Vão: 3,00 m
- Franzimento: 2x
- Tecido necessário: 3,00 × 2 = 6,00 m
- Trilho recomendado: reforçado duplo com suporte central
Calculadora Simplificada (premium)
Para Wave
Use 2.5x a largura do vão.
Motivo: o design depende da ondulação contínua — menos que isso gera Wave “morta”.
Para Prega Macho
Use 3x a largura do vão.
Motivo: a prega consome tecido e exige mais volume para manter simetria.
Para Blackout duplo
Use 2x e nunca mais que isso.
Motivo: qualquer volume extra prejudica a suavidade do movimento e sobrecarrega o trilho.
Tipos de trilho indicados conforme o projeto
Trilhos de embutir
- Uso quando o cliente deseja acabamento premium;
- Funciona com leves e médios;
- Pode receber trilho reforçado oculto.
Trilhos de sobrepor
- Ótimos para reformas sem gesso;
- Podem ser reforçados;
- São os mais versáteis para tecidos médios e pesados.
Trilhos reforçados para tecidos pesados
Essencial quando uso:
- blackout duplo;
- veludo;
- jacquard pesado.
Costumo optar por perfis de alumínio com roldanas de alta carga — a diferença de suavidade é enorme.
Truques profissionais que uso para evitar erros
1. Checar limite de peso do trilho
Nunca confio apenas na aparência. Sempre consulto o fabricante e deixo 10% de margem de segurança.
2. Instalar suportes intermediários
Acima de 2,40 m sempre coloco suporte central — isso evita envergamento.
3. Prever espaço para recolhimento lateral
Um trilho pode ter o comprimento certo, mas zero área de recolhimento.
Sempre deixo:
- 15 a 20 cm livres quando quero abertura total;
- mais, se a cortina for pesada.
Erros comuns que vejo na prática
Erro 1 — Trilho estreito para tecido pesado
O trilho entorta, trava e perde vida útil.
Erro 2 — Ignorar o franzimento
A cortina fica sem movimento e parece um lençol reto.
Erro 3 — Nada de sobreposição lateral
Luz entra, o ambiente perde estética e nada se alinha.
Tabela Prática (referência rápida profissional)
1. Largura do trilho por tipo de tecido
- Leves: trilho simples
- Médios: trilho simples reforçado ou duplo
- Pesados: trilho duplo reforçado ou triplo com suporte central
2. Peso médio dos tecidos
- Voal: 80–150 g/m²
- Linho médio: 200–300 g/m²
- Blackout simples: 300–400 g/m²
- Blackout duplo / veludo: 500 g/m² ou mais
3. Fator de franzimento
- Leves: 2.5x a 3x
- Médios: 2x a 2.5x
- Pesados: 2x
Foto recomendada (inserir no artigo)
Coloque duas fotos lado a lado:
- Suporte de teto “clicado” (plástico leve)
- Suporte parafusado metálico reforçado
Legenda sugerida:
“À esquerda, suporte clicado recomendado apenas para tecidos leves. À direita, suporte metálico parafusado — o que utilizo em tecidos médios e pesados por suportar muito mais carga.”
Conclusão: cálculo certo = caimento perfeito + durabilidade + estética
Quando a largura do trilho é calculada com base no peso do tecido e no tipo de franzimento, tudo funciona:
- a cortina desliza com leveza;
- o trilho não enverga;
- o tecido ganha movimento e presença;
- o ambiente fica equilibrado e elegante.
Esse método é o que aplico diariamente em projetos de clientes e garante resultado profissional sem complicação.
Sempre que precisar planejar ou revisar um projeto de cortinas, use este guia como referência rápida. Ele evita erros, economiza tempo e assegura qualidade em qualquer instalação.
Théo Martins é especialista em cortinas, persianas e proteção solar, com mais de 10 anos de experiência em tecidos técnicos, medição profissional, instalação, automação e análise de ambientes. Certificado por Hunter Douglas e Somfy, atua ajudando pessoas a escolherem soluções eficientes e corretas para cada janela. No Lar Futura, transforma conhecimento técnico em orientações práticas e confiáveis.





